MOMENTO HISTÓRICO – PACHANCHO

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António Gomes do Vale Peixoto nasceu na freguesia de Maximinos, em Braga, na noite de Natal de 1891, no sei de uma família humilde. Iniciou-se na mecânica muito novo, como aprendiz de torneiro fundidor na primeira garagem que Braga viu nascer, cujo nome curiosamente era “Velho e Velho”, situada na Rua de São João de Souto. Tornou-se um às da mecânica e de toda a região ali peregrinavam motociclistas e automobilista para reparar as suas maquinas. Ganhou a alcunha de Pachancho, ainda rapazola, pelo seu andar desajeitado. Aos vinte e poucos anos é convidado pela excêntrica milionária de Braga, D. Maria Rego, para motorista-chefe e mecânico dos seus quatro fantástico  automóveis. Com a família Rego fará diversas viagens pela Europa, aproveitando, sempre que possível, para visitar fabricas e oficinas de automóveis próximas.
Quando em 1920 regressa de um desses périplos, em que testemunhou a reconstrução da Europa após a razia da primeira Grande Guerra, confidenciou à patroa que o seu sonho era ter um Braga uma oficina mesmo sua, bem equipada, na qual pudesse não só repara automóveis e motos, como também fabricar todo o tipo de peças.
A 20 de Outubro de 1920, António Peixoto inaugura a sua própria oficina, com 30 m2, na Rua de Santo André, financiado por um empréstimo da F. Maria Rego no valor de dez mil escudos. A oficina será um sucesso. Peixoto começa por contratar oito empregados e, mesmo assim, não tem mãos a medir, o negócio vai de vento em popa até que, em 1940, compra um grande terreno em Infias para edificar a fábrica Pachancho, que, em 1945, quando termina a Segunda Grande Guerra, já conta com 350 trabalhadores.
Em 1948, com o surgimento de diversos motores para adaptar em bicicleta, António Peixoto delineia um plano para fabricar um pequeno motor a dois tempos, inteiramente nacional, a que dará o nome de Micromotor. No dia 12 Fevereiro de 1949 os dois primeiros protótipos de motor foram aplicados em bicicletas que partiram para uma volta ao Minho e fizeram prova da resistência dos engenhos, permitindo ainda a oportunidade de se aperfeiçoarem os motores. No entanto, sói a 2 de Maio de 1951 lhe foi finalmente concedida a licença oficial de produção.

Será então que a industria portuguesa verá pela primeira vez uma nova técnica de fundição -por injeção -, a partir da qual serão feitos os cárteres dos motores. Estes motores de 49cc eram equipados com uma caixa de três velocidades com sistema de alavanca para aplicar ao depósito do velocípede. Atingiam 2,25 cavalos de potencia às cinco mil rotações por minuto e pesavam apenas 9,5kg; funcionavam com gasolina misturada com óleo de motor 30 na proporção de 5%. Num primeiro momento a Pachancho equipou várias montagens, sendo as mais conhecidas as Vilar-Pachancho e as Famel-Pachancho. Em 1954, António Peixoto e o seu filho Zacarias Peixoto formam sociedade com António Carvalho de Araújo para desenvolver a montagem de ciclomotores em Braga: A cinal-Pachancho – Consórcio de Industrias Metalomecânicas Nacionais (Cinal),Lda. Inicia-se um novo capítulo da história das motorizadas em Braga, e, em 1955, são lançados cinco modelos de motorizadas, todas elas com nomes de montanhas importantes.

Momento histórico oferecido por Bertrand Livreiros e informação do livro: “As motos da nossa vida: uma viagem sentimental à memória das motorizadas portuguesas” de Pedro Pinto.